Saturday, September 23, 2006
Sunday, September 10, 2006
Tuesday, March 21, 2006
La Haine
Valencia 17 de Março, Las Fallas: uma festa tradicional acarinhada pela Generalitat. Um imenso trabalho de preparação de guarda-roupa, gigantones, desfiles e fogo de artificio, para que no fim tudo arda em fogueiras e lágrimas (não é artifício poético, é verídico, procurem na net).Barcelona 17 de Março, Botellón: encontro marcado no Raval entre os mossos de esquadra e os botelleros; mas os mossos não deram hipótese, seraficamente blindados, autênticos muros. Os botelleros tiveram que encontrar maneira de fazer festa e expressaram a sua indignação por lhes quererem tirar o primordial direito de beber na calle, e queimaram caixotes do lixo, à falta de gigantones.
Ainda no Raval, 17 de Março, mas se me perguntassem diria que era uma cena do La Haine, filme exasperante de Mathieu Kassovitz passado nos subúrbios parisienses nos anos 90.
Paris 17 de Março, Manifestações anti-CPE: ao contrário da controlada resignação dos mossos, a gendarmerie não admite provocações. Mas aos universitários, e à sua presunçosa aspiração a direitos adquiridos há mais de uma geração, quem é que os vai levar a sério? Nem sequer fizeram fogo.
Wednesday, March 01, 2006
Esta menina vai passar por aqui
RETINAS en CASABLANCAPasseig de Gràcia 115
miércoles 29 marzo. 20:30 y 22:30h
de Marco Martins. Portugal, 2005. 102 min. Intérpretes: Nuno Lopez, Beatriz Batarda.
El audaz cine portugués sigue demostrando ser una fuente creativa inagotable, a pesar de nacer en un contexto económico inquietante. Alice, ópera prima de Marco Martins, es una película fuera de norma, de una singularidad absoluta, que no se parece en nada al cine lusitano al uso, del que a pesar de ser vecinos nuestros nos llegan contadas obras. Cinematográficamente, Alice deslumbra, es una especie de meteoro de brumas, apuntes y convulsiones, arrancada de un mundo urbano húmedo y frío, cuyos colores parecen desvanecerse progresivamente hasta lograr una paleta de grises mercúricos. El papel de Mario recae en Nuno Lopes, que nos ofrece una interpretación inolvidable del padre vital y desesperado. Nombre de todas las metáforas de la desaparición, Alice tiene toda la fuerza de una verdadera aparición.
Tuesday, February 28, 2006
Do que em mim tocou
Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou
Manuel Cruz
Monday, February 27, 2006
Friday, February 24, 2006
Jamboree
Minino Garay é um argentino de Cordoba (repete as referencias à terra natal em todas as musicas) com uma expressão corporal alucinada de fazer tremer os tambores. Os tambores são Los Tambores del Sur, mas são de todos os hemisférios: um francês à guitarra, uma checa que aprendeu a tocar violino com os ciganos, um italian james bond ao piano, um baixo, um sax, um trompetista, todos já bastante entradotes. E muita percursão. Vi o concerto sentada no palco, que claro, dá à experiência o dobro do sabor, até porque os músicos me sorriam, e gerou-se um ambiente bastante familiar. Se os Tambores do Sur passarem pelos vossos nortes, vão ouvir La celosa de tu vieja e outras jazzotangoflamencorockalhadas – que vale a pena.
Monday, February 13, 2006
Sunday at the beach
Domingo é dia de ver museus. E neste domingo em particular, em que os museus são de borla, é de bom tom a qualquer tuga erradicado aproveitar. Foi com este pensamento que yours truly saiu de casa, ao meio-dia da madrugada. Desci o Passeig de Gracia, like a million times before, desprezei o Corte Ingles da Placa Catalunya, cerradisimo, e o da Portal de l'Angel, dois passos abaixo, e segui direitinha à Ciutat Vella, para descobrir onde raio seria o Museu Picasso.Descobri, mas não descobri nada nele que me fascinasse, a não ser uma ocasional experiência pontilhada do dito Picasso, e as desmazeladas Demoiselles d’Avignon.
Sai do museu e dei por mim no Born, onde já me tinham levado a comer as pizzas mais baratas e apetitosas de bcn. Comi-as num banco de jardim soalheiro, acompanhada por todos os que à minha volta tinham escolhido as mesmas pizzas, diferentes sabores...
Domingo é dia de dolce fare niente, que em espanhol se diz siesta, e em português se diz vamos tomar um café à Linha. E sem sequer precisar de decidir, deixei para trás os museus, atravessei o parc da Ciudadela, e pus-me a caminho da praia. Barceloneta não é bonita, tampoco é praia. Mas ao longo da marginal revela-se-me o que tem de especial. É que aqui, como em qualquer lugar de Barcelona, tudo à volta nos diz fazvecomprapensacomeritomasentapasseiabebeandapreenche. E nós fazemos.
Mas Domingo é dia de sentar num qualquer bar acolhedor chamado Glaciar e escrever postais, comer bravas e beber cañas. E também é dia de ir para casa cedo, porque amanhã trabalha-se. Além do mais no pasa nada ao domingo. Só que domingo, em bcn, é dia de festa. E é proibido ir para casa, porque apanhas no caminho diabinhos com fogo preso, e tambores que rugem ritmos abrasileirados que irresistivelmente tens que seguir, adonde sea.
Saturday, February 04, 2006
Tuesday, January 17, 2006
I wish I was leaving by train
A companhia aérea soube a data da minha viagem antes de mim. A companhia aérea quer saber a dimensão das minhas malas. Ainda não as fiz, respondi. A companhia aérea acha que eu me devia despachar. A companhia aérea acha que já não há nada a fazer em Portugal. A companhia aérea tem pressa. Eu vou me deixando partir.Monday, January 09, 2006
Reflexions of the way we used to be

I have been in a strange mood lately. All of us, Portuguese, have. Despite our old age, we’ve been acting like teenagers, still insecure about our own capacities. For the most of our school years, we’ve been taught how we once sailed the vast oceans to rule the world, but omitted how we’ve lost that rank, and how we still can’t forgive ourselves for it.
We turn to others in search for a clue that will explain what is wrong with us; is it fate or is it circumstantial? Like a proud mother to her son, you will tell us that nothing is wrong. That we are as clever and as able as any other, you will remind us of recent glories: how we invented ATM machines; and of old ones: how we were the first to bond with remote India, Japan and Malaysia.
But don’t spare us the harsh truths: the fact that others are also skilled, and that they are not standing idle, that talent and inventiveness don’t suppress hard work, that understanding our potentialities and limitations, instead of being paralyzed by fear of failure, is far better.
I have no doubt we’ll grow up to be healthy adults. It is circumstantial, but living through it is what it is being a Portuguese today.
We turn to others in search for a clue that will explain what is wrong with us; is it fate or is it circumstantial? Like a proud mother to her son, you will tell us that nothing is wrong. That we are as clever and as able as any other, you will remind us of recent glories: how we invented ATM machines; and of old ones: how we were the first to bond with remote India, Japan and Malaysia.
But don’t spare us the harsh truths: the fact that others are also skilled, and that they are not standing idle, that talent and inventiveness don’t suppress hard work, that understanding our potentialities and limitations, instead of being paralyzed by fear of failure, is far better.
I have no doubt we’ll grow up to be healthy adults. It is circumstantial, but living through it is what it is being a Portuguese today.
Monday, December 12, 2005
Thursday, November 24, 2005
Olá ó vida malvada
Adeus vida atinada
Dos horários e das bichas
E das gripes do Inverno
E do suor do Verão
Adeus vida atinada
Ter de dormir sete horas por dia
Ir para o trabalho e ainda é de noite
Ser sempre igual a todas as horas
Adeus vida atinada
Das mil maneiras de passar fome
Adeus ó praias cheias de gente
E um beijo pra quem fica
Mudar de roupa, soltar o cabelo
Dormir no carro, todo nu em pêlo
Dizer que hoje o dia esta perfeito
Pôr óculos escuros a torto e a direito
Pois hoje vou pegar na guitarra
É hoje que eu me faço à estrada
Obviamente, dos grandes Xutos
Dos horários e das bichas
E das gripes do Inverno
E do suor do Verão
Adeus vida atinada
Ter de dormir sete horas por dia
Ir para o trabalho e ainda é de noite
Ser sempre igual a todas as horas
Adeus vida atinada
Das mil maneiras de passar fome
Adeus ó praias cheias de gente
E um beijo pra quem fica
Mudar de roupa, soltar o cabelo
Dormir no carro, todo nu em pêlo
Dizer que hoje o dia esta perfeito
Pôr óculos escuros a torto e a direito
Pois hoje vou pegar na guitarra
É hoje que eu me faço à estrada
Obviamente, dos grandes Xutos
Tuesday, November 22, 2005
Friday, November 04, 2005
Tuesday, November 01, 2005
Friday, October 28, 2005
Wednesday, October 26, 2005
Bastidores
Houvesse um dia um palcoonde eu pudesse fingir
que te quero
Que eu fosse essa musa
lasciva e hipócrita
que não te deixa dormir
nem te dá com que sonhar
Caísse eu com a chuva
e com as fúrias do vento
do etéreo monte
onde me condenas a estar
E passasse a ter corpo
com que me descrevesses
E passasse a ter tacto
com que te tocasse
E
Houvesse um dia tempo
para que o tempo passasse
e se esquecessem de nós
Ia procurar-te
aos bastidores
Wednesday, October 19, 2005
Thursday, October 13, 2005
Day of Atonement
Do pôr do sol do dia 9 ao pôr do sol de dia 10 de Tishri passa-se o Yom Kippur. É comemorado com jejum e oração. Não se pode comer, beber, tomar banho ou ter relações conjugais (nada é dito sobre as relações extra-conjugais, portanto, consegui não falhar todas).O Yom Kippur é o dia do Julgamento Final, onde os destinos de todas as almas ficam selados, mas é principalmente o dia da Reconciliação. Por isso, deixo aqui o secular desejo para os meus amigos, mas principalmente aos que já não o são: que eles possam "ser selados no Livro da Vida para um Bom Ano".
Eu, por mim, sinto-me reconciliada.
Wednesday, October 12, 2005
Outubro

Em dias de chuva acontece por vezes dissolver-me. Dissolve-se-me a alma, bem entendido. Acontece naturalmente, como quando um gesto arrasta outro: como quem canta no banho, ou como quem adormece ao ler na cama. Quando chove, dissolvo-me no caminho, e na cadência dos meus passos existe algo de húmido e uterino, de interior e triste.
Caminho e invento monólogos entre nós. Caminho e piso poças de água. Caminho e declamo, dramatizo e morro, caminho e ensaio tudo outra vez. Através dos dias enceno pedaços de peças, fragmentos e actos. Através dos meses, vou vindimando as histórias, que armazeno em grandes cestos, e depois piso num lagar de mágoas.
Amanhã, vou brindar ao Verão que passou e ao que dele há-de voltar, esperando-os eternamente doces. Amanhã, pode bem chover, que eu sei afogar-me docemente sem nunca desaparecer.
Friday, September 16, 2005
Planisferio
De tão pouco serem planos
os caminhos que percorreste,
acabaram-se os enganos,
mudaram os meus planos:
quero viver nesse hemisfério!
os caminhos que percorreste,
acabaram-se os enganos,
mudaram os meus planos:
quero viver nesse hemisfério!
Monday, September 12, 2005
Thursday, August 25, 2005
hungry like the wolf
Burning the ground, I break from the crowd
I'm on the hunt, I'm after you
I smell like I sound, I'm lost and I'm found
And I'm hungry like the wolf
Strut on a line, it's discord and rhyme
I'm on the hunt, I'm after you
Mouth is alive with juices like wine
And I'm hungry like the wolf
Duran Duran
I'm on the hunt, I'm after you
I smell like I sound, I'm lost and I'm found
And I'm hungry like the wolf
Strut on a line, it's discord and rhyme
I'm on the hunt, I'm after you
Mouth is alive with juices like wine
And I'm hungry like the wolf
Duran Duran
Wednesday, August 24, 2005
MONTE GODEL
Numa pacata terra do oeste, onde o vento fustiga as escarpas, e poucos se atrevem a não usar casaco à noite, eles descobrem um mundo novo.
A fabulosa aventura de um grupo de amigos que pensa que vai passar um dia descansado. Os problemas começam quando alguém deixa queimar a sardinhas..
Dos produtores de Armação de Pêra e Nunca mais é Marrocos, estreia agora
MONTE GODEL
Estreia sábado dia 3 de Setembro na Ericeira perto de si.
Sessões a partir das 17h
Dos produtores de Armação de Pêra e Nunca mais é Marrocos, estreia agora
MONTE GODEL
Estreia sábado dia 3 de Setembro na Ericeira perto de si.
Sessões a partir das 17h
Tuesday, August 23, 2005
To whom it may
It's a question of lust
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep us together
Depeche Mode
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep us together
Depeche Mode
Thursday, August 18, 2005
Captain's (b)log, day 1085
fins de tarde em que não estás
em que me sento e viajo
debruçada sobre a proa
pergunto-me se saberás
que os meus olhos te habitam
quando percorro Lisboa
em que me sento e viajo
debruçada sobre a proa
pergunto-me se saberás
que os meus olhos te habitam
quando percorro Lisboa
Wednesday, August 17, 2005
Primeiro post, últimos ritos
Sim, porque eu também tinha um caderno preto, velho e quadriculado. Não um moleskine, um de marca branca: continente. Mas parece que isso já cá se não usa.
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